numa conversa entre três amigas, surgiu a velha questão: 'o que é que esperas de um homem?'. E, naquele instante, em que parecia que não existiam sete crianças e três maridos do outro lado da porta, umas reclamavam cumplicidade, outras partilha, amor ou disponibilidade. Em sintonia estava sempre a necessidade de nos sentirmos em 'casa' com o homem que está ao nosso lado.
Talvez seja isso que neste momento quero fazer da minha vida. Sentir-me em casa a todos os níveis. Dedicando-me apenas ao que é prioritário, enfocando-me simplesmente no que se toca e no que toca o meu coração. Seja o trabalho, a casa, a família, os filhos, os amigos, ou as minhas próprias necessidades.
Quando entro aqui já não me sinto em casa. Há (muitos) dias em que me surpreendo por não ter vontade de escrever, há outras alturas em que tenho temas mas não os quero partilhar, há momentos em que sinto que este canto é como um caderno com tantos anos que já não faz sentido mantê-lo.
Se um dia aqui vou voltar? Não sei. Talvez daqui a uns tempos eu sinta novamente aquelas saudades bonitas de uma casa que um dia foi nossa.
Até lá, faço como se faz normalmente ao fechar pela última vez a porta de casa. Despeço-me dos vizinhos, desejando felicidades e lançando o tradicional voto de um 'até breve, vamo-nos encontrando por aí'.
Domingo, Junho 15, 2008
Sexta-feira, Junho 13, 2008
Sete anos
Há fotografias que retratam a tua alma, e esta é uma delas. A forma como contemplas o mar é a mesma como observas a vida. Com muita atenção, com imensa sede de aprender e apreender tudo o que aparece à tua frente.Hoje completas o primeiro ciclo da tua vida. Também por isso tive hoje contigo uma das mais sérias conversas que alguma vez partilhámos. Tu sentada ao meu colo, as palavras a fluirem como se fossemos duas adultas, as lágrimas a serem partilhadas como se fossemos uma só. "Eu sou tão feliz, mãe", disseste-me tu. E és. Muito exigente, muito auto-crítica, muito senhora do teu nariz e certa das tuas jovens convicções. E feliz.
És uma menina-mulher que me espera todos os dias de braços abertos e que interpreta o meu coração como ninguém. És a primeira pessoa a quem conto as minhas alegrias, a quem relato os meus problemas, a quem chego a pedir conselhos para as minhas dúvidas. A minha maior amiga, com a certeza de que o tempo nos tornará mais mãe e filha do que confidentes.
Sete anos, meu amor. E as palavras são curtas e simples demais para te conseguir descrever ou enumerar a forma como enches o meu coração.
Parabéns, minha querida!
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Alda Benamor
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Sexta-feira, Junho 13, 2008
Etiqueta:
7 anos Mafalda,
aniversários
Quarta-feira, Junho 11, 2008
Numa escapadinha de fim-de-semana
esqueci-me do mundo real. Redescobri o prazer das pequenas coisas, partilhei lágrimas de felicidade com a minha filha mais velha originadas por um simples passeio de comboio, vibrei com o sorriso pleno da minha mais pequena no meio de um mergulho, e espantei-me com a minha calma quando, em dois dias diferentes, os meus pilantras cairam no meio de uma piscina.(Hoje, de volta ao tal mundo real, espanto-me ao perceber que faltam três dias para o sétimo aniversário da Mafalda, e solto uma gargalhada quando vejo que, pela primeira vez na história da minha maternidade, a festa da minha filha ainda tem muito para ser tratado.)
No fim destes quatro dias, entrei em casa com uma dúvida: 'será que lhes dou o melhor de mim? Não deveria ser sempre assim, tão bom e perfeito como foi nestas últimas 96 horas?'. Mas, há minutos, quando acabei de organizar as fotografias desta nossa escapadinha de fim-de-semana, corri os últimos álbuns fotográficos e respondi-me a mim mesma: se não lhes dou o melhor, dou-lhes pelo menos o máximo de mim. Um dia, quando eles escavarem o baú das suas memórias, ou quando desfolharem estes álbuns que faço apenas por e para eles, tenho a certeza de que vão saber disso!
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Alda Benamor
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Quarta-feira, Junho 11, 2008
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Escapadinhas; coisas nossas
Sexta-feira, Junho 06, 2008
Foi aqui que passámos grande parte do Dia da Criança.

Longe dos centros comerciais, dos cinemas e das festas atulhadas de gente. Brincámos com a areia, fizemos jogos, molhámos pernas e calças, descobrimos mexilhões numa rocha e um polvo num minúsculo buraco cheio de água salgada.
E não, não estou atrasada em relação ao tema. Ele vem simplesmente para dar resposta às pessoas que me perguntam porque é que não tenho escrito mais por estes lados. É que há dias em que esta não é, simplesmente, a minha praia! ;)
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Alda Benamor
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Sexta-feira, Junho 06, 2008
Etiqueta:
coisas minhas,
prioridades
Segunda-feira, Junho 02, 2008
Hoje fui inscrever a minha filha Matilde no 1º ano.
E o meu coração gritava por um misto de orgulho e de espanto. A minha bebé está a menos de cinco meses de fazer seis anos. A minha menina de sorriso largo e ingénuo, que se emociona mais com as pessoas idosas que com as dificuldades de que já se apercebe. A minha princesa, que me fez chegar a casa uma avaliação que a descrevia tão bem: 'a Matilde vive num mundo de sonhos, onde tudo é cor-de-rosa e onde existe sempre um príncipe para cada princesa'. A minha Matilde que, ao aperceber-se de uma ligeira dor de cabeça minha, se concentra, encosta as mãos à minha testa e me diz 'com reiki isso passa já'.
Não sei se foi ela que cresceu demasiado depressa ou se fui eu que lhe exigi essa pressa. Tenho saudades das sílabas trocadas no seu discurso, e às vezes dou por mim a lamentar as vezes que lhe exigi um 'barriga' bem pronunciado, em vez do 'rabiga' que ela dizia. Tenho saudades do tempo em que ela pedia a minha presença para adormecer, em que ela me suplicava para lhe dar comida à boca, em que era mais minha que dela própria.
(exigimos tanto que eles cresçam depressa...)
Hoje de manhã, quando ela me acordou com um sorriso luminoso e iluminado, peguei-lhe nas mãos, decorei-lhe as covinhas do rosto, e pedi ao nosso tempo para passar menos depressa. Com a sensação de que, nesta correria da vida, não consigo aproveitar como deve de ser a infância dos meus filhos.
"Eu vou fazer seis anos e vou para a primária, mãe. E depois vou fazer 7 anos, 8, 9, 10, 80 anos. Vou ser grande e vou fazer o que eu quiser. E sabes o que é que eu vou fazer quando for grande, mãe? Vou comer pastilhas, muitas pastilhas. E já não me podes dizer nada, porque já não vais mandar em mim!"
Não sei se foi ela que cresceu demasiado depressa ou se fui eu que lhe exigi essa pressa. Tenho saudades das sílabas trocadas no seu discurso, e às vezes dou por mim a lamentar as vezes que lhe exigi um 'barriga' bem pronunciado, em vez do 'rabiga' que ela dizia. Tenho saudades do tempo em que ela pedia a minha presença para adormecer, em que ela me suplicava para lhe dar comida à boca, em que era mais minha que dela própria.
(exigimos tanto que eles cresçam depressa...)
Hoje de manhã, quando ela me acordou com um sorriso luminoso e iluminado, peguei-lhe nas mãos, decorei-lhe as covinhas do rosto, e pedi ao nosso tempo para passar menos depressa. Com a sensação de que, nesta correria da vida, não consigo aproveitar como deve de ser a infância dos meus filhos.
"Eu vou fazer seis anos e vou para a primária, mãe. E depois vou fazer 7 anos, 8, 9, 10, 80 anos. Vou ser grande e vou fazer o que eu quiser. E sabes o que é que eu vou fazer quando for grande, mãe? Vou comer pastilhas, muitas pastilhas. E já não me podes dizer nada, porque já não vais mandar em mim!"
Sexta-feira, Maio 30, 2008
A minha filha Mafalda
disse-me há uns dias que gosta tanto de mim como da avó.
(e eu devia ficar muito contente, não devia? :P)
(e eu devia ficar muito contente, não devia? :P)
Quinta-feira, Maio 29, 2008
Eu sou assim.
Positiva, crente na parte cor-de-rosa da vida. Mas, quando tenho algo que me incomoda, preciso sofrer as minhas dores, da forma mais profunda que consigo. Quando encontro os meus momentos (depois das crianças estarem a dormir), preciso de pensar, de imaginar todos os cenários, de chorar até que as lágrimas sequem. E é assim que, sem que eu perceba porquê, um dia acordo e no meu coração se instaura de novo uma tranquilidade "estúpida". É assim que exorciso os meus problemas e que, qual Fênix, renasço das minhas próprias cinzas.
E o mais engraçado é que não são as doenças que me deitam abaixo. É quando estou em baixo que adoeço. Foi uma semana de febres, dores de cabeça, tosses insuportáveis e mau estar. Tão raras e óbvias em mim, que a minha filha mais velha, ao segundo dia da doença, me perguntou: 'o que é que te anda a chatear, mãe?'.
Portanto, estou de volta! Renovada, envolta no cor-de-rosa da vida, com a energia para cima!
E o mais engraçado é que não são as doenças que me deitam abaixo. É quando estou em baixo que adoeço. Foi uma semana de febres, dores de cabeça, tosses insuportáveis e mau estar. Tão raras e óbvias em mim, que a minha filha mais velha, ao segundo dia da doença, me perguntou: 'o que é que te anda a chatear, mãe?'.
Portanto, estou de volta! Renovada, envolta no cor-de-rosa da vida, com a energia para cima!
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